Ansiedade nossa de cada dia: o custo silencioso que impacta no DRE Emocional 

Vivemos em uma sociedade onde a velocidade dita o ritmo, a produtividade define o valor, e a alta performance se tornou o novo normal. Nesse cenário, a ansiedade não é mais exceção — é quase regra

A forma como a sociedade contemporânea se organiza tem nos levado a uma epidemia crescente de problemas relacionados à saúde mental. Estamos sempre em busca de crescimento, de fazer mais, de dar conta de tudo… E, quando não conseguimos, surge a culpa, a frustração e a ansiedade.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil é o país mais ansioso do mundo e o 5º mais depressivo. 9,3% da população brasileira tem algum transtorno de ansiedade e 5,8% sofre com depressão. São números alarmantes — e anteriores à pandemia. Imagine agora.

Entre os fatores que nos colocam nesse ranking estão:

• A escassez de serviços de saúde mental acessíveis

• A insegurança econômica e social provocada pela desigualdade

• O preconceito e a desinformação sobre saúde emocional

• A resistência em pedir ajuda e compartilhar o que sentimos

A ansiedade não é “frescura” nem “drama”. Ela é um sinal de alerta de que algo não vai bem e o corpo e a mente estão tentando avisar.

Ansiedade: da evolução à desadaptação

A ansiedade é um mecanismo de sobrevivência herdado pela nossa espécie É o que nos mantém alertas diante do perigo.

Mas, hoje, os “leões” mudaram. O que ameaça não é mais um predador na floresta, mas o excesso de e-mails, reuniões, prazos, metas inalcançáveis e a constante comparação com o sucesso alheio.

Nesse novo contexto, a ansiedade deixou de ser adaptativa e passou a ser disfuncional.

Em vez de nos proteger, nos paralisa. Em vez de nos preparar para agir, nos esgota.

O filósofo Byung-Chul Han, no livro “A Sociedade do Cansaço”, descreve com precisão o nosso tempo: uma era em que somos levados à exaustão pela cobrança constante de sermos felizes, positivos e produtivos o tempo todo. O resultado? Uma sociedade hiperconectada, multitarefa, ansiosa, com baixa tolerância à frustração e uma falsa liberdade que exige sucesso como moeda de valor.

A ansiedade no trabalho: sintomas, causas e impactos

No ambiente corporativo, a ansiedade se disfarça de comprometimento, perfeccionismo, proatividade. Mas, com o tempo, ela revela sintomas como:

• Falta de foco e atenção

• Irritabilidade

• Procrastinação ou excesso de controle

• Medo constante de errar ou decepcionar

• Dificuldade de dizer “não”

• Fadiga mental e física

Isso afeta diretamente os resultados: colaboradores ansiosos perdem produtividade, criatividade e engajamento. Equipes ansiosas têm dificuldade de colaborar, inovar, comunicar-se com clareza. E mais: em um time ansioso, o clima organizacional adoece. As relações ficam frágeis. Os erros aumentam. A rotatividade cresce.

Como a ansiedade se manifesta no DRE Emocional

É aqui que entra o DRE Emocional, uma ferramenta que desenvolvi para diagnosticar e mensurar o impacto das emoções nos resultados das empresas.

Enquanto o DRE tradicional mostra os números financeiros, o DRE Emocional revela o que está por trás deles:

• Despesas emocionais, como conflitos mal resolvidos, medo de feedback, ambientes inseguros, sobrecarga, excesso de pressão, ambiente tóxico e burnout

• Receitas emocionais, como confiança, escuta ativa, reconhecimento, propósito, parceria, segurança psicológica

A ansiedade se manifesta como uma despesa emocional crônica. Ela drena energia, aumenta os custos invisíveis e fragiliza a cultura interna. Ignorar isso é como tentar pilotar uma empresa sem saber que o motor está superaquecendo.

Por que estamos tão ansiosos?

A nova geração (Z e Alpha), criada sob múltiplas telas, estímulos constantes e cobrança por desempenho precoce, apresenta baixa tolerância à frustração, dificuldade de foco e relações mais superficiais.

Além disso, vivemos sob a pressão de estarmos sempre bem. As redes sociais reforçam a necessidade de sucesso, felicidade e realização constante. Estar cansado virou sinal de fraqueza. Demonstrar vulnerabilidade, uma falha.

E assim, vamos nos cobrando mais do que qualquer chefe jamais nos cobraria.

Somos vigilantes de nós mesmos. E isso tem um preço alto.

Nem tudo é doença: aprendendo a lidar com as emoções

É importante reforçar: nem toda ansiedade é patológica.

Existe uma variação emocional normal, esperada e saudável. O problema começa quando não sabemos como lidar com essas emoções — ou quando a sociedade nos empurra para ignorá-las e passamos a perceber nossas emoções quando já estão exacerbadas. 

Estamos vivendo uma epidemia emocional, sim. Mas podemos enfrentá-la com mais consciência e com práticas de bem-estar emocional:

Práticas saudáveis para lidar com a ansiedade:

• Cobrar-se menos, lembrando que errar é humano e necessário ao aprendizado e ao aprimoramento

• Aceitar a imprevisibilidade do futuro

• Redefinir sucesso: não é sobre fazer tudo, mas escolher o que importa

• Pensar em uma coisa de cada vez — multitarefa não é virtude

• Desenvolver empatia, solidariedade e redes de apoio

• Praticar respiração consciente e foco no presente

• Aceitar que algumas coisas não vão mudar — e tudo bem

• Eliminar estigmas e pedir ajuda quando necessário

Estar bem é a condição para performar. E não o contrário.

O futuro da performance é emocional

A ansiedade é uma marca da humanidade, mas no século XXI ela se tornou um grito silencioso de que estamos passando dos nossos limites.

Dentro das empresas, é preciso abrir espaço para conversar sobre isso.

Não há resultado sustentável sem equilíbrio emocional.

Não há inovação onde reina o medo.

Não há alta performance onde a saúde mental está colapsando.

Focar só na performance e ignorar o emocional é uma estratégia de curto prazo — com um custo muito alto a longo prazo.

Com o DRE Emocional, líderes e organizações ganham um mapa para enxergar o invisível, acolher a vulnerabilidade e transformar ambientes em espaços seguros, saudáveis e produtivos.

Quer saber como o DRE Emocional pode apoiar sua liderança ou sua empresa nesse caminho?

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Referências

HAN-Byung-Chul. Sociedade do Cansaço. Rio de Janeiro: Vozes, 2017.

OMS: mais de 300 milhões de pessoas sofrem de depressão no mundo

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